Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Saúde Coloproctológica

Doença diverticular

As 'bolsinhas' do intestino: muito comuns, quase sempre inofensivas — e tratáveis quando inflamam

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Presença de pequenas bolsas (divertículos) na parede do cólon, muito comum após os 50 anos. A maioria nunca dá sintomas; quando um divertículo inflama (diverticulite), há tratamento eficaz.

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Ilustração anatômica — Doença diverticular
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

Divertículos são pequenas bolsas que se formam quando a camada interna do intestino grosso se projeta para fora através de pontos de menor resistência da parede — como a câmara de um pneu apontando por uma fraqueza no revestimento. A simples presença dessas bolsas chama-se diverticulose, e ela é extremamente comum: mais da metade das pessoas acima dos 60 anos as tem, na maioria das vezes sem saber, como achado casual de uma colonoscopia ou tomografia. O trecho mais afetado é o cólon sigmoide, do lado esquerdo do abdome. A formação dos divertículos se associa ao envelhecimento natural da parede intestinal e a fatores do estilo de vida: dieta pobre em fibras, pouca ingestão de água, sedentarismo, obesidade e tabagismo. Ter divertículos não é doença grave — é quase uma característica do intestino que envelheceu. O problema surge quando um divertículo inflama ou infecta: é a diverticulite, que se manifesta tipicamente com dor contínua no lado esquerdo e embaixo do abdome, às vezes com febre e alteração do hábito intestinal. Aqui vale distinguir dois cenários: a diverticulite não complicada, que é a grande maioria e responde bem a tratamento clínico, e a diverticulite complicada, quando há abscesso (bolsa de pus), perfuração, obstrução ou fístula — situações menos comuns que exigem tratamento mais intensivo, por vezes cirúrgico. Outra manifestação possível é o sangramento diverticular: um vaso na parede do divertículo pode romper e causar sangramento vivo pelo ânus, em geral indolor e autolimitado, mas que sempre merece avaliação. E um lembrete importante: dor abdominal à esquerda com alteração intestinal não é automaticamente diverticulite — outras condições, incluindo o câncer colorretal, podem imitar o quadro, e é por isso que a investigação adequada faz diferença.

Sintomas

Na diverticulose: geralmente nenhum sintoma
Dor contínua no lado esquerdo inferior do abdome (na diverticulite)
Febre e mal-estar durante a inflamação
Alteração do hábito intestinal — prisão de ventre ou diarreia
Distensão e desconforto abdominal
Sangramento vermelho-vivo pelo ânus (sangramento diverticular)
Náuseas e perda de apetite nos quadros agudos

Diagnóstico

Na crise aguda, o diagnóstico se apoia na consulta — a dor típica no quadrante inferior esquerdo, febre, o exame do abdome — e em exames de sangue que medem a inflamação. O exame de escolha na suspeita de diverticulite é a tomografia computadorizada do abdome: ela confirma o diagnóstico, mostra a extensão da inflamação e, principalmente, diferencia a forma não complicada da complicada (abscesso, perfuração). A colonoscopia não é feita durante a crise — o intestino inflamado não deve ser insuflado —, mas entra semanas depois, com o quadro resolvido, para avaliar todo o cólon e afastar outras causas para os sintomas, incluindo lesões que a tomografia não caracteriza bem.

Tratamento

A diverticulose sem sintomas não precisa de remédio — precisa de hábitos: dieta rica em fibras (frutas, verduras, grãos integrais), boa hidratação e atividade física regular, que melhoram o funcionamento intestinal e reduzem a pressão dentro do cólon. Ao contrário do que se dizia antigamente, não há necessidade de proibir sementes, pipoca ou castanhas — essa restrição caiu por falta de evidência. A diverticulite não complicada trata-se clinicamente: repouso relativo, dieta ajustada e analgésicos, com antibióticos em casos selecionados — muitos episódios leves, em pacientes saudáveis, evoluem bem até sem eles, sob supervisão médica. A maioria dos pacientes se recupera em casa; internação fica para quadros mais intensos ou pacientes mais frágeis. Já a diverticulite complicada exige mais: abscessos maiores podem ser drenados por punção guiada por imagem, e a perfuração com peritonite é urgência cirúrgica. A cirurgia eletiva — remoção do segmento doente do cólon, em geral o sigmoide — é decidida caso a caso, e não mais por regra automática após um número fixo de crises. Pesam na decisão a gravidade e a frequência dos episódios, complicações como estenose ou fístula (por exemplo, entre o intestino e a bexiga) e o impacto na qualidade de vida. Quando indicada, é realizada preferencialmente por via minimamente invasiva — cirurgia colorretal laparoscópica ou cirurgia robótica colorretal —, com reconstrução do trânsito no mesmo tempo na grande maioria dos casos, sem colostomia. Operar no momento certo, fora da crise, é o que garante a cirurgia menor e mais segura.

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FAQ

Perguntas frequentes

Não. A maioria das pessoas com divertículos passa a vida inteira sem qualquer sintoma — estima-se que só uma minoria terá um episódio de diverticulite. Hábitos saudáveis (fibras, água, atividade física) ajudam a manter as bolsinhas quietas.
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