Grupo de doenças em que o sistema imune inflama cronicamente o intestino — doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Não têm cura definitiva, mas têm controle: com tratamento, a maioria vive em remissão.
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Sobre a condição
Sintomas
Diagnóstico
Não existe um exame único que confirme DII — o diagnóstico é um quebra-cabeça montado na consulta. A história (tempo de sintomas, aspecto das evacuações, perda de peso, casos na família) orienta os primeiros passos: exames de sangue (anemia, marcadores de inflamação) e de fezes, incluindo a calprotectina fecal, que mede inflamação intestinal e ajuda a diferenciar DII de condições funcionais como a síndrome do intestino irritável. O exame central é a colonoscopia com biópsias, que mostra o padrão e a extensão da inflamação e permite ao patologista distinguir Crohn de retocolite. No Crohn, exames de imagem — enterorressonância ou tomografia — avaliam o intestino delgado e procuram complicações como estenoses e fístulas; a ressonância da pelve mapeia a doença perianal quando presente.
Tratamento
A base do tratamento é medicamentosa e escalonada conforme a gravidade. Nos quadros leves de retocolite, os derivados do ácido 5-aminossalicílico (como a mesalazina) costumam bastar. Os corticoides controlam crises, mas não servem para uso contínuo. Para manter a remissão, entram os imunossupressores e, principalmente, os medicamentos biológicos e as pequenas moléculas — terapias que agem em alvos específicos da inflamação e mudaram o curso da doença nos últimos anos. O acompanhamento é conjunto com o gastroenterologista, com reavaliações regulares para confirmar que a inflamação está de fato apagada, e não apenas silenciosa. A cirurgia tem papel bem definido, e é importante desfazer um medo comum: operar não é fracasso do tratamento, é parte dele em momentos específicos. No Crohn, a cirurgia trata complicações — estenoses que obstruem, fístulas e abscessos (incluindo o cuidado especializado da doença perianal, com drenagens e sedenhos que preservam o esfíncter) — sempre de forma econômica, removendo o mínimo necessário. Na retocolite, a remoção do cólon pode ser indicada nos casos graves que não respondem à medicação ou quando surge displasia; ela tem potencial de eliminar a doença intestinal, em geral com reconstrução que evita bolsa definitiva. Quando a cirurgia abdominal é necessária, a via preferencial é a cirurgia colorretal laparoscópica, minimamente invasiva. Completam o cuidado a vigilância e o estilo de vida: quem tem DII extensa e de longa data tem risco aumentado de câncer colorretal e entra em programa de colonoscopias periódicas; parar de fumar é essencial no Crohn; vacinação em dia, suporte nutricional e atenção à saúde mental fazem parte do plano. Com esse conjunto, a expectativa realista para a maioria dos pacientes é uma vida em remissão — com a doença sob controle, e não no controle.
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