Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Saúde Coloproctológica

Prolapso retal

Quando o reto "sai para fora" — uma condição tratável, não uma sentença da idade

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Exteriorização do reto pelo ânus, mais comum em mulheres após os 60 anos. Causa desconforto, secreção e escapes — e tem correção cirúrgica eficaz, inclusive por vias minimamente invasivas.

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Ilustração anatômica — Prolapso retal
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

O prolapso retal acontece quando o reto — a porção final do intestino grosso — perde a sustentação e desliza para fora do ânus, virando-se "do avesso" como a manga de uma camisa. No início, pode se exteriorizar apenas durante a evacuação e voltar sozinho; com o tempo, passa a sair com esforços menores (tossir, caminhar, ficar de pé) e a precisar ser recolocado com a mão; nos casos avançados, permanece exteriorizado. É bem diferente da hemorroida, embora as duas coisas sejam confundidas: na hemorroida, o que se exterioriza são as almofadas vasculares do canal anal; no prolapso, é a parede completa do reto, formando um cilindro de mucosa com anéis concêntricos característicos. Por que acontece? O prolapso resulta do enfraquecimento das estruturas que sustentam o reto na pelve — assoalho pélvico e ligamentos. É muito mais comum em mulheres, sobretudo após os 60 anos, e se associa a múltiplos partos, constipação crônica com esforço evacuatório de longa data e fraqueza do assoalho pélvico. Também ocorre em homens e, com mecanismo diferente, em crianças. Além do desconforto físico — sensação de "bola" saindo, umidade, secreção com muco e sangue, escapes de fezes (incontinência) —, o prolapso cobra um preço silencioso na vida social: muitas pessoas vão deixando de sair de casa, de caminhar, de viajar, por insegurança e vergonha. É importante dizer: prolapso retal não é "coisa normal da idade" que se deva aceitar. Tem correção cirúrgica eficaz, que devolve qualidade de vida.

Sintomas

Saída de tecido pelo ânus ("bola" ou "carne") ao evacuar ou aos esforços
Necessidade de recolocar o tecido manualmente
Umidade constante, secreção com muco e sangramento
Escapes de fezes ou gases (incontinência fecal)
Sensação de evacuação incompleta e esforço evacuatório
Desconforto ou sensação de peso na região anal e pélvica

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico: a inspeção durante o esforço evacuatório — às vezes reproduzido no consultório ou no banheiro, de forma reservada — demonstra o prolapso e o diferencia de hemorroidas volumosas. O toque retal avalia o tônus do esfíncter, que costuma estar enfraquecido, informação importante para o planejamento. Como o prolapso frequentemente vem acompanhado de outros distúrbios do assoalho pélvico (prolapsos ginecológicos, incontinência urinária), a avaliação pode ser ampliada: a defecorressonância magnética (exame de imagem que filma a dinâmica da evacuação) e a manometria anorretal (que mede as pressões do esfíncter) ajudam nos casos menos evidentes. A colonoscopia costuma ser solicitada antes da cirurgia, para avaliar todo o cólon — especialmente na faixa etária em que o prolapso é mais comum.

Tratamento

Medidas clínicas — corrigir a constipação com fibras e água, evitar esforço evacuatório, fisioterapia do assoalho pélvico — melhoram sintomas e preparam o terreno, mas não recolocam o reto no lugar: o tratamento definitivo do prolapso retal completo é cirúrgico. Existem duas grandes famílias de cirurgia, e a escolha é individualizada. As cirurgias pelo abdome fixam o reto ao sacro (retopexia), com ou sem uso de tela, e são hoje realizadas por vias minimamente invasivas — a cirurgia laparoscópica colorretal e a cirurgia robótica colorretal —, com cortes pequenos, menor dor e recuperação mais rápida. São a opção preferencial para a maioria dos pacientes com boas condições clínicas, pelas menores taxas de recidiva. As cirurgias pela via perineal (pelo próprio ânus, sem abrir o abdome) removem ou reduzem o segmento prolapsado e são alternativas valiosas para pacientes mais frágeis, com risco anestésico elevado. Um ponto que merece expectativa realista: a incontinência associada ao prolapso melhora na maioria dos casos após a correção, mas a recuperação do esfíncter — distendido por anos — pode ser gradual e se beneficiar de fisioterapia pélvica no pós-operatório. O plano de tratamento enxerga o assoalho pélvico como um todo, às vezes em conjunto com ginecologia e fisioterapia.

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FAQ

Perguntas frequentes

Não. Na hemorroida, exteriorizam-se as almofadas vasculares do canal anal; no prolapso, é a parede completa do reto que sai, formando anéis concêntricos característicos. O exame proctológico diferencia com clareza — e os tratamentos são completamente diferentes.
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