Técnica minimamente invasiva que trata as hemorroidas "fechando a torneira": as artérias que as alimentam são localizadas por ultrassom Doppler e costuradas, sem cortar nem retirar tecido. Pós-operatório com muito menos dor.

Sobre o procedimento
A desarterialização hemorroidária transanal (THD) parte de uma ideia diferente das cirurgias tradicionais: em vez de cortar e retirar as hemorroidas, ela trata a causa do inchaço — o excesso de fluxo de sangue. As hemorroidas são estruturas vasculares que todos temos; o problema aparece quando as artérias que as alimentam mandam sangue demais e o tecido dilata, sangra e se exterioriza. Na THD, um aparelho com sonda de ultrassom Doppler localiza com precisão cada uma dessas artérias, e o cirurgião as costura (sutura), reduzindo o fluxo — como fechar parcialmente a torneira que enchia demais a caixa d'água. Quando há prolapso (a "carne saída"), a mesma sutura é usada para reposicionar e fixar o tecido de volta ao lugar (pexia), sem remover nada. O grande atrativo da técnica está no pós-operatório: como não há cortes na região do ânus com sensibilidade à dor, a recuperação costuma ser bem mais confortável que a da hemorroidectomia convencional, com retorno mais rápido às atividades. É uma excelente opção para hemorroidas de graus intermediários — principalmente graus II e III — em que o tratamento de consultório já não basta, mas a cirurgia de retirada pode ser evitada.
Quando é indicado
Como é realizado
A THD é feita em ambiente hospitalar, geralmente sob raquianestesia (anestesia da cintura para baixo) associada a sedação — o paciente dorme e não acompanha nada — ou sob anestesia geral, conforme a avaliação do anestesista. Pelo ânus, o cirurgião introduz um anuscópio especial equipado com uma sonda de ultrassom Doppler. O aparelho "escuta" o fluxo de sangue e aponta exatamente onde estão as artérias hemorroidárias — em geral, seis ramos principais. Cada artéria localizada é costurada com um ponto, reduzindo o fluxo para o tecido hemorroidário. Quando há prolapso, a sutura continua descendo pela mucosa, franzindo-a e suspendendo o tecido de volta à posição normal (mucopexia) — tudo por dentro do canal anal, sem cortes externos e sem retirada de tecido. O procedimento costuma durar de 30 a 60 minutos. A internação é curta: alta no mesmo dia ou na manhã seguinte, na maioria dos casos.
Vantagens
Recuperação
A recuperação da THD costuma surpreender positivamente quem esperava o pós-operatório temido das cirurgias de hemorroida. Nos primeiros dias, o mais comum é sensação de peso retal e desconforto ao evacuar — dor intensa não é a regra. Analgésicos simples, banhos de assento mornos e fezes macias (fibras e bastante água) cuidam bem dessa fase. O retorno ao trabalho acontece, na maioria dos casos, em aproximadamente cinco a sete dias, dependendo da atividade. Esforço físico e musculação costumam ser liberados após duas a três semanas. Pequenos sangramentos nas primeiras evacuações são esperados e tendem a desaparecer ao longo da primeira semana.
Riscos e cuidados
Como toda cirurgia, a THD tem riscos, ainda que baixos: sangramento, dor mais intensa que o previsto, retenção urinária transitória nas primeiras horas (relacionada à anestesia) e, raramente, trombose hemorroidária no pós-operatório. Infecção é incomum. Uma limitação a considerar: a técnica não trata diretamente o componente externo da doença hemorroidária. E um ponto que merece transparência: por não remover tecido, em hemorroidas grau 4 muito volumosas a THD pode apresentar maior risco de recidiva quando comparada à hemorroidectomia — parte dos pacientes pode precisar de novo tratamento ao longo dos anos. É a troca honesta que a técnica propõe: recuperação muito mais confortável, com um compromisso de acompanhamento. A escolha entre THD e outras técnicas é sempre individualizada, conversada em consulta.
Tratamos com este procedimento
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