Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Procedimento

Desarterialização hemorroidária (THD)

Cirurgia de hemorroidas guiada por Doppler, sem retirada de tecido

Todos os procedimentos

Técnica minimamente invasiva que trata as hemorroidas "fechando a torneira": as artérias que as alimentam são localizadas por ultrassom Doppler e costuradas, sem cortar nem retirar tecido. Pós-operatório com muito menos dor.

Ilustração — Desarterialização hemorroidária (THD)
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

A desarterialização hemorroidária transanal (THD) parte de uma ideia diferente das cirurgias tradicionais: em vez de cortar e retirar as hemorroidas, ela trata a causa do inchaço — o excesso de fluxo de sangue. As hemorroidas são estruturas vasculares que todos temos; o problema aparece quando as artérias que as alimentam mandam sangue demais e o tecido dilata, sangra e se exterioriza. Na THD, um aparelho com sonda de ultrassom Doppler localiza com precisão cada uma dessas artérias, e o cirurgião as costura (sutura), reduzindo o fluxo — como fechar parcialmente a torneira que enchia demais a caixa d'água. Quando há prolapso (a "carne saída"), a mesma sutura é usada para reposicionar e fixar o tecido de volta ao lugar (pexia), sem remover nada. O grande atrativo da técnica está no pós-operatório: como não há cortes na região do ânus com sensibilidade à dor, a recuperação costuma ser bem mais confortável que a da hemorroidectomia convencional, com retorno mais rápido às atividades. É uma excelente opção para hemorroidas de graus intermediários — principalmente graus II e III — em que o tratamento de consultório já não basta, mas a cirurgia de retirada pode ser evitada.

Quando é indicado

Hemorroidas internas grau II com sangramento persistente apesar do tratamento clínico
Hemorroidas grau III, com prolapso que reduz espontaneamente ou manualmente
Falha ou recidiva após ligadura elástica
Pacientes que priorizam menos dor pós-operatória e retorno rápido ao trabalho
Casos selecionados de grau IV, a critério de avaliação individual

Como é realizado

A THD é feita em ambiente hospitalar, geralmente sob raquianestesia (anestesia da cintura para baixo) associada a sedação — o paciente dorme e não acompanha nada — ou sob anestesia geral, conforme a avaliação do anestesista. Pelo ânus, o cirurgião introduz um anuscópio especial equipado com uma sonda de ultrassom Doppler. O aparelho "escuta" o fluxo de sangue e aponta exatamente onde estão as artérias hemorroidárias — em geral, seis ramos principais. Cada artéria localizada é costurada com um ponto, reduzindo o fluxo para o tecido hemorroidário. Quando há prolapso, a sutura continua descendo pela mucosa, franzindo-a e suspendendo o tecido de volta à posição normal (mucopexia) — tudo por dentro do canal anal, sem cortes externos e sem retirada de tecido. O procedimento costuma durar de 30 a 60 minutos. A internação é curta: alta no mesmo dia ou na manhã seguinte, na maioria dos casos.

Vantagens

Sem cortes e sem retirada de tecido — a anatomia da região é preservada
Não retira tecido de forma circular, com menor risco de estenose anal do que os procedimentos que ressecam extensamente o tecido
Menor agressão tecidual e recuperação, em geral, mais confortável
Dor pós-operatória significativamente menor que a da hemorroidectomia
Trata sangramento e prolapso no mesmo ato (desarterialização + mucopexia)
Internação curta — alta no mesmo dia ou no dia seguinte
Menor risco de complicações de ferida, já que não há ferida aberta

Recuperação

A recuperação da THD costuma surpreender positivamente quem esperava o pós-operatório temido das cirurgias de hemorroida. Nos primeiros dias, o mais comum é sensação de peso retal e desconforto ao evacuar — dor intensa não é a regra. Analgésicos simples, banhos de assento mornos e fezes macias (fibras e bastante água) cuidam bem dessa fase. O retorno ao trabalho acontece, na maioria dos casos, em aproximadamente cinco a sete dias, dependendo da atividade. Esforço físico e musculação costumam ser liberados após duas a três semanas. Pequenos sangramentos nas primeiras evacuações são esperados e tendem a desaparecer ao longo da primeira semana.

Riscos e cuidados

Como toda cirurgia, a THD tem riscos, ainda que baixos: sangramento, dor mais intensa que o previsto, retenção urinária transitória nas primeiras horas (relacionada à anestesia) e, raramente, trombose hemorroidária no pós-operatório. Infecção é incomum. Uma limitação a considerar: a técnica não trata diretamente o componente externo da doença hemorroidária. E um ponto que merece transparência: por não remover tecido, em hemorroidas grau 4 muito volumosas a THD pode apresentar maior risco de recidiva quando comparada à hemorroidectomia — parte dos pacientes pode precisar de novo tratamento ao longo dos anos. É a troca honesta que a técnica propõe: recuperação muito mais confortável, com um compromisso de acompanhamento. A escolha entre THD e outras técnicas é sempre individualizada, conversada em consulta.

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

Sim, essa é a principal vantagem da técnica. Como as suturas ficam em uma região do canal anal com pouca sensibilidade à dor e não há feridas abertas na pele, o pós-operatório costuma ser bem mais confortável que o da hemorroidectomia convencional. Desconforto e peso retal nos primeiros dias são esperados; dor intensa, não.
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