Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Saúde Coloproctológica

Hemorroidas

A queixa mais comum da coloproctologia — e uma das mais tratáveis

Todas as doenças

Dilatação dos vasos que existem naturalmente no canal anal, causando sangramento, desconforto e sensação de peso. É a queixa mais frequente do consultório de coloproctologia — e quase sempre tem solução.

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Ilustração anatômica — Hemorroidas
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

Todo mundo tem hemorroidas — e isso não é doença. As hemorroidas são almofadas de vasos sanguíneos que existem naturalmente no canal anal e ajudam na continência, funcionando como pequenas vedações. O problema surge quando essas almofadas se dilatam, escorregam da posição original ou inflamam: aí aparecem o sangramento vivo no papel higiênico, a coceira, o desconforto e, às vezes, aquela "carne saída" (prolapso) na hora de evacuar. É a isso que chamamos de doença hemorroidária. Por que acontece? O esforço repetido para evacuar, a constipação (intestino preso), longos períodos sentado no vaso sanitário (celular no banheiro conta!), a gravidez e a predisposição familiar aumentam a pressão sobre essas almofadas, que aos poucos vão perdendo a sustentação. É uma condição extremamente comum: estima-se que boa parte dos adultos terá algum sintoma hemorroidário ao longo da vida. E, ainda assim, muita gente sofre em silêncio por anos, por vergonha de procurar ajuda. Não precisa ser assim — para o coloproctologista, essa é a consulta mais rotineira que existe, e o alívio costuma vir rápido. Os médicos classificam as hemorroidas internas em graus, e isso guia o tratamento: - Grau I: sangram, mas não saem do canal anal - Grau II: saem durante a evacuação e voltam sozinhas - Grau III: saem e precisam ser recolocadas com o dedo - Grau IV: ficam permanentemente exteriorizadas Um alerta importante, sem alarme: sangramento nas fezes nem sempre é hemorroida. Outras condições — incluindo pólipos e o câncer colorretal — podem sangrar de forma parecida. Por isso, todo sangramento merece uma avaliação médica, e não apenas uma pomada da farmácia.

Sintomas

Sangramento vermelho-vivo no papel higiênico ou no vaso
Sensação de peso ou desconforto anal, principalmente ao final do dia
Coceira e umidade na região anal
"Carne saída" (prolapso) durante ou após a evacuação
Dor intensa e súbita quando há trombose (coágulo dentro da hemorroida)
Dificuldade de higiene local

Diagnóstico

O diagnóstico começa com uma boa conversa: como é o sangramento, há quanto tempo, como anda o hábito intestinal. Depois vem o exame proctológico — e aqui vale desfazer um medo comum: ele é rápido, feito com delicadeza e privacidade, e dura poucos minutos. Inclui a inspeção da região anal, o toque retal (que avalia o canal anal com o dedo, em segundos) e, quando necessário, a anuscopia — um pequeno aparelho que permite ver o interior do canal anal e confirmar as hemorroidas internas. Em pessoas acima dos 45 anos, com histórico familiar de câncer colorretal ou com sinais de alerta (anemia, mudança do hábito intestinal, perda de peso), a colonoscopia é indicada para examinar todo o intestino grosso e afastar outras causas de sangramento.

Tratamento

A grande maioria dos casos melhora sem cirurgia. O primeiro passo é sempre cuidar do intestino: mais fibras na alimentação, mais água, evitar o esforço evacuatório e reduzir o tempo sentado no vaso. Banhos de assento mornos e medicações tópicas ou orais ajudam a controlar as crises. Quando os sintomas persistem, existem tratamentos ambulatoriais eficazes para os graus iniciais. A ligadura elástica é o mais utilizado: um pequeno anel de borracha é colocado na base da hemorroida interna, no próprio consultório, sem anestesia e sem afastamento das atividades — a hemorroida "murcha" e cai em alguns dias. Para graus mais avançados, entram as técnicas cirúrgicas. A desarterialização hemorroidária (THD) usa um doppler para localizar e costurar as artérias que alimentam as hemorroidas, reposicionando o tecido sem grandes cortes — com pós-operatório geralmente mais confortável. Já a hemorroidectomia (retirada cirúrgica das hemorroidas) continua sendo o tratamento mais definitivo, indicada nos graus III e IV ou quando há componente externo volumoso. A escolha entre essas opções é individualizada, conforme o grau, os sintomas e a rotina de cada pessoa — e é exatamente essa conversa que acontece na consulta.

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FAQ

Perguntas frequentes

Não. Hemorroida é uma condição benigna e não se transforma em câncer. O que pode acontecer é o sangramento de um tumor ser confundido com hemorroida — e a pessoa adiar a investigação achando que "é só hemorroida". Por isso todo sangramento anal merece avaliação médica, principalmente após os 45 anos.
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