Cirurgia que reconecta o intestino e fecha a ostomia, devolvendo as evacuações pelo caminho natural. Para quem convive com a bolsa, é o capítulo final de um tratamento — planejado com exames e no momento certo.

Sobre o procedimento
Para quem vive com uma colostomia ou ileostomia — a abertura do intestino na parede do abdome, com a bolsa coletora —, poucas perguntas pesam tanto quanto "quando vou me livrar disso?". A reversão é a cirurgia que responde: o intestino é reconectado e o orifício no abdome é fechado, devolvendo as evacuações ao caminho natural. A maioria das ostomias criadas durante o tratamento do câncer colorretal, de diverticulites complicadas ou de urgências abdominais é temporária — foi feita para proteger uma emenda do intestino enquanto cicatriza, ou porque reconectar na primeira cirurgia não era seguro. A reversão pode ser realizada, em muitos casos, entre um e seis meses após a cirurgia inicial, dependendo da recuperação, do tratamento oncológico, das condições clínicas e da avaliação da anastomose — e nunca no escuro: antes, exames confirmam que a emenda cicatrizou bem e que o intestino "adormecido" está apto a voltar ao trabalho. Dois pontos de expectativa honesta. Primeiro: a reversão é uma cirurgia de verdade — em geral mais simples que a original, especialmente nas ostomias em alça, mas ainda assim uma operação abdominal com seus cuidados. Segundo: o intestino não volta ao normal no dia seguinte. O segmento que passou meses em repouso precisa se readaptar, e as primeiras semanas costumam trazer evacuações frequentes, urgência e alguma irregularidade — um processo esperado, que melhora progressivamente e tem manejo. Saber disso antes transforma a experiência: em vez de susto, é etapa prevista da readaptação.
Quando é indicado
Como é realizado
Antes da cirurgia, o dever de casa: exames de imagem ou endoscópicos (como a retossigmoidoscopia e o enema contrastado) verificam a emenda antiga e o segmento de intestino que será reconectado. Só com esse sinal verde a reversão é marcada. A cirurgia é feita sob anestesia geral. Nas ostomias em alça — em que as duas bocas do intestino estão juntas na pele —, o acesso costuma ser pela própria abertura da ostomia: o cirurgião libera as alças, reconecta as duas extremidades (com sutura ou grampeador) e devolve o intestino ao abdome, fechando a parede e a pele. É a versão mais simples, com duração em torno de 1 a 2 horas. Quando as extremidades estão separadas — como após a cirurgia de Hartmann, em que o coto retal ficou fechado dentro da pelve —, a operação é maior: exige acessar o abdome — a abordagem pode ser laparoscópica ou robótica, conforme o caso e a experiência da equipe, ou por via aberta —, liberar aderências das cirurgias anteriores, localizar o coto e construir a nova emenda. Nesses casos, a duração é maior e a complexidade se aproxima da cirurgia original. A internação típica varia de 3 a 7 dias, com dieta e caminhada progredindo cedo.
Vantagens
Recuperação
A recuperação hospitalar segue o ritmo das cirurgias intestinais: dieta progressiva conforme o intestino desperta, caminhada precoce e alta em 3 a 7 dias, conforme a complexidade. A ferida no local da antiga ostomia pode ser parcialmente aproximada, deixando-se uma pequena abertura para drenagem e cicatrização segura — um curativo simples que fecha ao longo de semanas. A readaptação intestinal é a parte que exige paciência: nas primeiras semanas são comuns evacuações frequentes (várias ao dia), urgência, gases e alguma assadura na pele perianal — o segmento reativado e os esfíncteres estão reaprendendo a rotina. Esse quadro melhora de forma progressiva ao longo de semanas a meses, com apoio de ajustes na dieta, medicações reguladoras e, quando útil, fisioterapia do assoalho pélvico. Trabalho leve costuma ser retomado em 2 a 4 semanas; esforço físico intenso, após 4 a 6 semanas, protegendo a parede abdominal.
Riscos e cuidados
Os riscos são os das cirurgias intestinais: o principal é a fístula da nova emenda (vazamento), que ocorre numa minoria dos casos mas pode exigir reoperação — e, raramente, uma nova ostomia temporária. Somam-se infecção de ferida (mais comum no local da antiga ostomia), obstrução intestinal por aderências, hérnia no local do fechamento e complicações clínicas gerais. Há também uma conversa que precisa acontecer antes, e não depois: em uma pequena parcela dos pacientes, a reversão não é recomendável — quando os esfíncteres não têm força para garantir a continência, quando a doença de base impede, ou quando o risco cirúrgico supera o benefício. Nesses casos, manter a ostomia bem cuidada é a decisão que protege a qualidade de vida, e ela é tomada em conjunto, com todos os dados na mesa.
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