Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Procedimento

Tratamento da fissura anal

Do tratamento clínico à cirurgia — quebrando o ciclo da dor

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A fissura anal é uma pequena ferida no ânus que dói muito ao evacuar e prende a pessoa num ciclo de dor e medo. O tratamento vai de pomadas e ajuste do intestino até a cirurgia (esfincterotomia), reservada aos casos que não cicatrizam.

Ilustração — Tratamento da fissura anal
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

A fissura anal é uma pequena ferida (úlcera) no revestimento do canal anal — em geral, na linha média posterior. Apesar de pequena, provoca uma dor desproporcional: aguda, em queimação ou "corte", durante e principalmente após a evacuação, podendo durar horas. É uma das dores mais intensas da coloproctologia, e quem tem sabe. O problema se sustenta por um ciclo vicioso: a ferida dói, a dor faz o músculo do ânus (esfíncter interno) contrair demais (hipertonia), a contração reduz o fluxo de sangue na região, e sem boa irrigação a ferida não cicatriza — e volta a doer na próxima evacuação. Some-se o medo de evacuar, que leva a segurar as fezes, que ficam mais ressecadas e machucam mais. Todo o tratamento da fissura mira quebrar esse ciclo. A boa notícia: a maioria das fissuras agudas cicatriza com tratamento clínico — fezes macias (fibras, água, laxativos suaves), banhos de assento mornos e pomadas que relaxam o esfíncter (como diltiazem ou nitroglicerina tópicos). Quando a fissura se torna crônica e resiste a semanas de tratamento bem feito, entram as opções seguintes: a aplicação de toxina botulínica no esfíncter ou a cirurgia — a esfincterotomia lateral interna, um procedimento pequeno e muito eficaz, que corta parcialmente as fibras do músculo contraído para quebrar a hipertonia de vez.

Quando é indicado

Fissura anal aguda — tratamento clínico como primeira linha
Fissura crônica que não cicatrizou após 6 a 8 semanas de tratamento adequado
Dor anal intensa e recorrente ao evacuar, com sangramento vivo em papel
Fissura associada a plicoma sentinela e papila hipertrofiada (tríade da fissura crônica)
Recidiva após tratamento com pomadas ou toxina botulínica

Como é realizado

O tratamento começa quase sempre sem cirurgia. A base é deixar as fezes macias e o ânus relaxado: dieta rica em fibras, bastante água, laxativos suaves se necessário, banhos de assento com água morna (que relaxam a musculatura e aliviam a dor) e pomadas específicas que reduzem a pressão do esfíncter, usadas por 6 a 8 semanas. A maioria das fissuras recentes fecha assim. Se a fissura resiste, uma opção intermediária é a toxina botulínica aplicada no esfíncter interno. É um procedimento rápido e, na maior parte das vezes, bem tolerado — muitas vezes realizado no próprio consultório —, cujo objetivo é reduzir temporariamente a hipertonia do esfíncter e, com isso, favorecer a cicatrização da fissura. Costuma ser indicada quando o tratamento clínico não apresenta resposta adequada, e a indicação depende da avaliação individual (explicada em página própria). Quando a cirurgia é necessária, o procedimento padrão é a esfincterotomia lateral interna: sob raquianestesia ou anestesia geral, em regime ambulatorial ou com internação de um dia, o cirurgião divide parcialmente as fibras do esfíncter interno — apenas o suficiente para desfazer a hipertonia — por uma incisão milimétrica na lateral do ânus. O procedimento dura em torno de 15 a 30 minutos, e o alívio da dor costuma ser notado já nas primeiras evacuações. Muitas vezes remove-se, no mesmo ato, o plicoma sentinela associado à fissura crônica; quando a estratégia inclui a fissurectomia (retirada da fissura crônica), esse procedimento costuma durar entre 30 e 45 minutos.

Vantagens

A maioria dos casos resolve sem nenhuma cirurgia
Tratamento escalonado: começa pelo mais simples, avança só se preciso
A esfincterotomia tem taxas de cicatrização altas — é uma das cirurgias mais resolutivas da especialidade
Alívio rápido da dor após a cirurgia, muitas vezes nas primeiras evacuações
Procedimento curto, ambulatorial na maioria dos casos

Recuperação

No tratamento clínico, a dor costuma melhorar ao longo das primeiras semanas conforme a ferida cicatriza — a disciplina com fibras, água e pomada é o que define o sucesso. Após a esfincterotomia, a recuperação é rápida: desconforto leve por alguns dias, bem controlado com analgésicos simples e banhos de assento, e retorno ao trabalho em poucos dias — em geral, menos de uma semana. Curiosamente, muitos pacientes relatam que a dor da cirurgia é menor que a dor da própria fissura. A cicatrização completa da fissura leva algumas semanas, mantendo os cuidados intestinais.

Riscos e cuidados

No tratamento com pomadas, os efeitos colaterais são locais e leves — a nitroglicerina pode causar dor de cabeça transitória em parte dos pacientes. Na esfincterotomia, o risco que merece conversa franca é a alteração da continência: como o procedimento corta parcialmente um músculo do ânus, pode haver escape de gases ou pequenas perdas nas primeiras semanas — na grande maioria dos casos, transitórios. Incontinência persistente é incomum com a técnica calibrada atual (a divisão do músculo é ajustada ao tamanho da fissura) e a indicação é avaliada com cuidado extra em mulheres com partos vaginais prévios ou qualquer fragilidade esfincteriana, situações em que alternativas como a toxina botulínica ganham preferência. Recidiva da fissura e pequenos sangramentos também podem ocorrer, em menor frequência.

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

Não — é o contrário: a maioria das fissuras cicatriza com tratamento clínico bem feito (fezes macias, banhos de assento e pomadas relaxantes do esfíncter por 6 a 8 semanas). A cirurgia fica reservada para as fissuras crônicas que resistem a esse tratamento ou que recidivam repetidamente.
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