Pequena ferida (úlcera) no canal anal que causa dor intensa ao evacuar e sangramento vivo. Apesar do sofrimento que provoca, a maioria cicatriza com tratamento clínico, sem cirurgia.
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Sobre a condição
Sintomas
Diagnóstico
Na fissura, o diagnóstico costuma ser feito com a história típica e a simples inspeção da região anal — na maioria das vezes a ferida é visível apenas afastando delicadamente as nádegas. Quando há dor importante, o toque retal e a anuscopia são adiados para depois do início do tratamento: nenhum exame precisa ser feito à força, e essa delicadeza faz parte da boa prática. Fissuras fora da linha média, múltiplas ou que não cicatrizam com o tratamento adequado merecem investigação adicional — podem estar associadas a doença de Crohn, infecções ou outras condições —, e nesses casos a colonoscopia pode ser indicada.
Tratamento
A primeira e mais importante etapa é clínica — e resolve a maior parte dos casos. Consiste em amolecer as fezes (fibras, bastante água e, se preciso, laxantes suaves), banhos de assento com água morna (que relaxam o esfíncter e aliviam a dor) e analgesia adequada. Para a fissura crônica, somam-se pomadas que relaxam o esfíncter interno e melhoram a circulação local — os nitratos tópicos ou os bloqueadores de canal de cálcio (como o diltiazem em pomada). Usadas corretamente por 6 a 8 semanas, essas medicações cicatrizam boa parte das fissuras crônicas, e são sempre tentadas antes de qualquer cirurgia. Quando a pomada não é suficiente, uma opção intermediária é a aplicação de toxina botulínica no esfíncter — um relaxamento temporário do músculo, que dá tempo para a ferida cicatrizar sem cortar nada. Para os casos verdadeiramente refratários existe a cirurgia (esfincterotomia lateral interna), um procedimento pequeno e muito eficaz, em que uma fração do músculo é seccionada para desfazer a hipertonia. Todo esse conjunto de opções compõe o tratamento da fissura anal, sempre do mais simples ao mais invasivo. A ordem importa: começar pelo conservador não é "enrolar" — é o que a evidência recomenda, porque a maioria das fissuras cicatriza sem bisturi.
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