Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Saúde Coloproctológica

Fissura anal

A pequena ferida que causa dor grande — e que raramente precisa de cirurgia

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Pequena ferida (úlcera) no canal anal que causa dor intensa ao evacuar e sangramento vivo. Apesar do sofrimento que provoca, a maioria cicatriza com tratamento clínico, sem cirurgia.

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Ilustração anatômica — Fissura anal
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

A fissura anal é uma pequena ferida (úlcera) na pele que reveste o canal anal — parecida com um corte de papel, só que num lugar extremamente sensível. O resultado é uma dor aguda, em queimação ou "rasgando", durante e principalmente depois da evacuação, que pode durar minutos ou horas. Muitas pessoas descrevem como "evacuar cacos de vidro". Ela geralmente surge após a passagem de fezes muito endurecidas ou volumosas, mas episódios de diarreia também podem causá-la. E aqui entra um círculo vicioso importante de entender: a dor faz o músculo do ânus (esfíncter interno) contrair demais — a chamada hipertonia esfincteriana. Esse aperto constante reduz a chegada de sangue à ferida, que não consegue cicatrizar. E a ferida que não cicatriza continua doendo, o que mantém o músculo contraído. Quebrar esse ciclo é a base do tratamento. Os médicos diferenciam a fissura aguda (recente, com menos de 6 a 8 semanas) da fissura crônica, que já tem bordas endurecidas e, às vezes, um pequeno "carocinho" de pele ao lado (plicoma sentinela). A aguda quase sempre cicatriza com medidas simples; a crônica costuma precisar de medicações específicas e, só em parte dos casos, de procedimento. Vale dizer com todas as letras: sentir dor ao evacuar não é normal e não é frescura. É um sintoma tratável — e quanto antes se trata, mais fácil é a cicatrização. Muita gente adia a consulta por medo do exame, quando na verdade o exame na fissura é adaptado justamente para não provocar dor.

Sintomas

Dor anal intensa durante a evacuação, que pode persistir por horas
Sangramento vermelho-vivo, geralmente em pequena quantidade, no papel
Sensação de rasgo ou queimação no ânus
Medo de evacuar (o que piora a constipação e alimenta o ciclo)
Pequeno "carocinho" de pele junto à fissura crônica (plicoma sentinela)
Coceira ou irritação local

Diagnóstico

Na fissura, o diagnóstico costuma ser feito com a história típica e a simples inspeção da região anal — na maioria das vezes a ferida é visível apenas afastando delicadamente as nádegas. Quando há dor importante, o toque retal e a anuscopia são adiados para depois do início do tratamento: nenhum exame precisa ser feito à força, e essa delicadeza faz parte da boa prática. Fissuras fora da linha média, múltiplas ou que não cicatrizam com o tratamento adequado merecem investigação adicional — podem estar associadas a doença de Crohn, infecções ou outras condições —, e nesses casos a colonoscopia pode ser indicada.

Tratamento

A primeira e mais importante etapa é clínica — e resolve a maior parte dos casos. Consiste em amolecer as fezes (fibras, bastante água e, se preciso, laxantes suaves), banhos de assento com água morna (que relaxam o esfíncter e aliviam a dor) e analgesia adequada. Para a fissura crônica, somam-se pomadas que relaxam o esfíncter interno e melhoram a circulação local — os nitratos tópicos ou os bloqueadores de canal de cálcio (como o diltiazem em pomada). Usadas corretamente por 6 a 8 semanas, essas medicações cicatrizam boa parte das fissuras crônicas, e são sempre tentadas antes de qualquer cirurgia. Quando a pomada não é suficiente, uma opção intermediária é a aplicação de toxina botulínica no esfíncter — um relaxamento temporário do músculo, que dá tempo para a ferida cicatrizar sem cortar nada. Para os casos verdadeiramente refratários existe a cirurgia (esfincterotomia lateral interna), um procedimento pequeno e muito eficaz, em que uma fração do músculo é seccionada para desfazer a hipertonia. Todo esse conjunto de opções compõe o tratamento da fissura anal, sempre do mais simples ao mais invasivo. A ordem importa: começar pelo conservador não é "enrolar" — é o que a evidência recomenda, porque a maioria das fissuras cicatriza sem bisturi.

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FAQ

Perguntas frequentes

Não — é justamente o contrário. A maioria das fissuras cicatriza com tratamento clínico: fibras, água, banhos de assento e pomadas específicas (nitratos ou bloqueadores de canal de cálcio). A toxina botulínica e a cirurgia ficam reservadas para os casos que não respondem a essas medidas.
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