Técnica que trata a fístula anal por dentro, com uma microcâmera que percorre e enxerga o túnel. O trajeto é limpo e selado sob visão direta, sem cortes externos e sem tocar no músculo da continência.

Sobre o procedimento
O VAAFT (video-assisted anal fistula treatment, ou tratamento vídeo-assistido da fístula anal) leva para a fístula a mesma lógica que a endoscopia levou para o intestino: em vez de operar o túnel por fora, às cegas, uma microcâmera entra pelo próprio trajeto e o percorre por dentro, mostrando na tela cada curva, ramificação e área doente. Isso resolve duas limitações clássicas da cirurgia de fístula. Primeiro, o mapeamento: fístulas complexas podem ter ramos escondidos que passam despercebidos — e ramo esquecido é recidiva anunciada. Com a câmera, o cirurgião enxerga o trajeto real, não o presumido. Segundo, a agressão ao esfíncter: como todo o trabalho é feito por dentro do túnel, não se corta pele nem músculo — a continência fica integralmente preservada. Depois de percorrer e diagnosticar o trajeto, a mesma via é usada para tratar: o interior do túnel é tratado sob visão direta — por eletrocauterização, fibra de laser ou selamento a laser, conforme a técnica empregada —, os restos são escovados e lavados, e a abertura interna (a "boca" da fístula no canal anal) é fechada com sutura ou grampeador. O VAAFT é particularmente interessante nas fístulas transesfincterianas altas, complexas ou recidivadas — justamente as que mais colocam o esfíncter em risco nas técnicas tradicionais.
Quando é indicado
Como é realizado
O procedimento é feito sob raquianestesia ou anestesia geral, geralmente com alta no mesmo dia ou no dia seguinte. Na primeira fase (diagnóstica), o fistuloscópio — um endoscópio rígido de poucos milímetros de espessura, com câmera e canal de irrigação — entra pela abertura externa da fístula, na pele, e percorre o túnel sob irrigação contínua, que o distende e limpa o caminho. Na tela, o cirurgião identifica o trajeto principal, eventuais ramificações e a abertura interna no canal anal. Na segunda fase (terapêutica), o interior do trajeto é tratado sob visão direta — por eletrocauterização, fibra de laser ou selamento a laser, conforme a técnica empregada —, destruindo o tecido doente em toda a extensão; o material desvitalizado é removido com escova e lavagem. Por fim, a abertura interna é fechada — com pontos ou grampeador —, selando a porta de entrada que alimentava a fístula. Todo o processo costuma durar de 40 a 90 minutos, conforme a complexidade, e não deixa ferida cirúrgica externa além da própria abertura da fístula, que fica para drenagem.
Vantagens
Recuperação
A recuperação costuma ser mais confortável que a das cirurgias abertas de fístula: sem ferida externa para cicatrizar, o desconforto dos primeiros dias é leve a moderado e bem controlado com analgésicos comuns e banhos de assento. É esperada a saída de secreção pela antiga abertura externa por algumas semanas, enquanto o trajeto tratado cicatriza por dentro — um curativo simples resolve. O retorno ao trabalho acontece, na maioria dos casos, em poucos dias — em geral, dentro de uma semana. Esforço físico intenso costuma ser liberado em 2 a 3 semanas. As revisões acompanham o fechamento progressivo do trajeto.
Riscos e cuidados
Os riscos imediatos são baixos: dor leve, pequeno sangramento, e raramente infecção local ou desconforto perineal pelo líquido de irrigação, transitório. O ponto de honestidade necessária é a taxa de cura: como toda técnica poupadora de esfíncter, o VAAFT cura uma proporção menor de casos que a fistulotomia — uma parcela dos pacientes apresenta recidiva e pode precisar de novo procedimento. A contrapartida é o que ele protege: a continência permanece intacta, e nada impede uma nova tentativa (pelo próprio VAAFT ou por outra técnica). Em fístulas complexas, essa troca — mais chance de retratamento em troca de zero agressão ao músculo — costuma valer a pena, e é discutida abertamente na escolha.
Tratamos com este procedimento
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