Trajeto anormal (túnel) que liga o interior do canal anal à pele ao redor do ânus, geralmente após um abscesso. Causa secreção persistente e requer tratamento cirúrgico individualizado.
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Sobre a condição
Sintomas
Diagnóstico
A consulta e o exame proctológico costumam identificar o orifício externo da fístula na pele e, muitas vezes, permitir palpar o trajeto como um cordão endurecido. O exame é feito com calma e delicadeza — a inspeção, o toque retal e a anuscopia levam poucos minutos e dão ao cirurgião as informações essenciais. Nas fístulas complexas ou recidivadas, a ressonância magnética da pelve é o exame de escolha para mapear o trajeto completo e sua relação com o esfíncter — um verdadeiro GPS para o planejamento cirúrgico. O ultrassom endoanal é uma alternativa útil. Quando há suspeita de doença de Crohn (fístulas múltiplas, diarreia crônica, dor abdominal), a colonoscopia entra na investigação.
Tratamento
A fístula anal não cicatriza sozinha nem com medicamentos — o tratamento definitivo é cirúrgico. A boa notícia é que a cirurgia evoluiu muito, e hoje o princípio central é claro: eliminar a fístula preservando ao máximo o músculo da continência. Para as fístulas simples, que atravessam pouco ou nenhum músculo, a fistulotomia (abertura do trajeto para que cicatrize de dentro para fora) é o tratamento clássico, com excelentes taxas de cura. Nas fístulas complexas, podem ser utilizadas técnicas que procuram tratar o trajeto preservando a musculatura esfincteriana. Entre as opções estão o LIFT (ligadura do trajeto fistuloso no espaço interesfincteriano), o VAAFT (tratamento vídeo-assistido da fístula anal), o avanço de retalho mucoso (que fecha o orifício interno com um retalho da parede do reto) e técnicas com laser. A indicação depende da anatomia do trajeto, da relação com os esfíncteres, da presença de ramificações e de tratamentos anteriores. No VAAFT, uma microcâmera percorre o trajeto por dentro, permitindo limpá-lo e tratá-lo sob visão direta — por eletrocauterização ou laser —, sem cortes externos significativos e com preservação total do esfíncter. Nenhuma técnica é a melhor para todos os casos — a escolha depende da anatomia da fístula, de cirurgias prévias e da função esfincteriana de cada pessoa. Recidivas podem acontecer mesmo com técnica adequada, e o acompanhamento pós-operatório faz parte do tratamento.
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