Dificuldade persistente para evacuar — fezes endurecidas, esforço, evacuações infrequentes. Extremamente comum, tem causas identificáveis e tratamento que vai muito além do laxante.
Agendar avaliação
Sobre a condição
Sintomas
Diagnóstico
A consulta é o exame mais importante: entender o padrão evacuatório, a dieta, os medicamentos em uso, o tempo de evolução e — crucialmente — procurar sinais de alarme. O exame físico inclui o abdome e o exame proctológico (inspeção, toque retal e, se preciso, anuscopia), que é rápido, respeitoso e muito informativo: o toque retal avalia o tônus do esfíncter, detecta fezes retidas e pode identificar a contração paradoxal do anismus. A colonoscopia é indicada quando há sinais de alarme, início após os 45-50 anos ou rastreamento pendente do câncer colorretal. Para os casos que não respondem ao tratamento inicial, exames funcionais refinam o diagnóstico: a manometria anorretal (mede as pressões e o relaxamento do assoalho pélvico), o tempo de trânsito colônico (avalia se o cólon é “lento”) e a defecografia (filma a dinâmica da evacuação).
Tratamento
A base do tratamento é comportamental e alimentar — e funciona para a maioria: aumentar gradualmente as fibras (25 a 30 g por dia, entre alimentos e suplementos como o psyllium), beber água em quantidade adequada (a fibra sem água pode até piorar), movimentar o corpo e reeducar o hábito — atender ao reflexo evacuatório sem adiar, reservar um horário tranquilo (o reflexo é mais forte após as refeições) e usar um apoio para os pés no vaso, que alinha o reto e facilita a saída das fezes. Quando as medidas básicas não bastam, entram os laxantes — com orientação, não por conta própria: os formadores de massa e os osmóticos (como o macrogol) são seguros para uso prolongado; os estimulantes têm seu lugar como resgate. Medicamentos que causam constipação são revistos, e causas como hipotireoidismo, tratadas. Nos distúrbios da evacuação, o tratamento muda de figura: o anismus responde ao biofeedback — fisioterapia especializada que reeduca a musculatura do assoalho pélvico a relaxar na hora certa — e, em casos selecionados e refratários, a aplicação de toxina botulínica anal na musculatura pode ajudar a quebrar a contração paradoxal. Para a constipação grave por inércia colônica refratária a tudo, existem opções avançadas em centros especializados, incluindo a neuromodulação sacral (um “marca-passo” dos nervos que comandam o intestino e o assoalho pélvico) e, excepcionalmente, cirurgia. O recado final é de esperança prática: constipação crônica raramente é “falta de força de vontade” ou algo com que se deva simplesmente conviver. Identificada a causa — funcional, de trânsito ou de evacuação —, há um caminho de tratamento para cada uma.
Procedimentos relacionados
Tem dúvidas sobre Constipação crônica?
Agende uma consulta com a Dra. Aline e tenha um diagnóstico personalizado.
Agendar consulta