Trajetos anormais que conectam o reto à vagina ou o cólon à bexiga, causando saída de gases e fezes por onde não deveriam. Têm causas identificáveis e tratamento cirúrgico eficaz.
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Sobre a condição
Sintomas
Diagnóstico
A consulta é o centro do diagnóstico: a descrição dos sintomas praticamente define a suspeita, e o exame proctológico e ginecológico — com toque e anuscopia — muitas vezes localiza o trajeto nas fístulas reto-vaginais baixas. Exames complementares mapeiam o túnel e procuram a causa: ressonância magnética da pelve para definir o trajeto e sua relação com os esfíncteres; tomografia de abdome e pelve na suspeita de fístula colo-vesical (que costuma mostrar ar dentro da bexiga); colonoscopia para avaliar o intestino e afastar doença de Crohn e tumores; e cistoscopia, quando necessário, para examinar a bexiga por dentro. Definir a causa não é detalhe — é o que determina toda a estratégia de tratamento.
Tratamento
O tratamento é individualizado pela causa e pela anatomia do trajeto. Fístulas reto-vaginais pequenas, de causa obstétrica recente, podem ocasionalmente fechar com cuidados locais e tempo; a maioria, porém, requer cirurgia. Nas fístulas baixas, as técnicas de reparo local — como o avanço de retalho da parede do reto para cobrir o orifício, ou os princípios de reparo interesfinctérico aparentados à técnica de fistulotomia e LIFT — corrigem o trajeto preservando o esfíncter e a continência. Quando há lesão muscular associada do parto, o reparo do esfíncter pode ser feito no mesmo tempo. Em trajetos complexos, recidivados ou em tecido irradiado, pode ser necessário interpor tecido sadio entre o reto e a vagina, e uma ileostomia ou colostomia temporária às vezes protege a cicatrização — sendo revertida depois. Na fístula colo-vesical por diverticulite, o tratamento padrão é remover o segmento doente do cólon e fechar a comunicação com a bexiga — cirurgia hoje realizada preferencialmente por via minimamente invasiva (cirurgia colorretal laparoscópica), com reconstrução do trânsito intestinal no mesmo tempo na maioria dos casos. Resolvida a origem, a bexiga cicatriza bem, e as infecções urinárias de repetição desaparecem. Quando a causa é a doença de Crohn, o controle da inflamação com medicação caminha junto com a cirurgia — operar com a doença ativa aumenta o risco de recidiva, então o momento é escolhido em conjunto com o gastroenterologista. Em todos os cenários, a expectativa deve ser realista e esperançosa: fístulas complexas podem exigir mais de uma etapa de tratamento, mas a grande maioria das pacientes alcança a resolução completa dos sintomas e a recuperação da vida social e íntima.
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