Cirurgia que remove as hemorroidas doentes. É uma das opções de tratamento cirúrgico, principalmente indicada quando existe componente hemorroidário externo importante, e tem a menor taxa de recidiva — com o manejo atual da dor, o pós-operatório é bem mais controlado do que sua fama.

Sobre o procedimento
A hemorroidectomia é a retirada cirúrgica das hemorroidas doentes. É uma das opções de tratamento cirúrgico, principalmente indicada quando existe um componente hemorroidário externo importante; também pode ser indicada em outros graus conforme os sintomas, a anatomia e a falha de tratamentos anteriores, como a ligadura elástica e a THD. É também o momento em que se pode remover o plicoma (o excesso de pele que sobra ao redor do ânus após crises), quando ele incomoda. Vamos falar do elefante na sala: a hemorroidectomia tem fama de cirurgia dolorosa, e essa fama tem fundo de verdade — a região operada é rica em terminações nervosas. Mas o cenário atual é muito diferente do de décadas atrás. Técnicas mais delicadas, bisturis de energia que selam os tecidos, bloqueios anestésicos locais que prolongam o conforto das primeiras horas e esquemas modernos de analgesia mudaram a experiência do pós-operatório. Dói? Nos primeiros dias, especialmente ao evacuar, sim — mas é uma dor tratável, previsível e temporária. Em troca desse pós-operatório mais exigente, a hemorroidectomia oferece o que nenhuma outra técnica iguala: a menor taxa de retorno da doença. Para hemorroidas volumosas e prolapsos importantes, costuma ser o tratamento com melhor resultado duradouro. A decisão entre operar ou tentar técnicas menores é sempre individualizada — grau da doença, sintomas, rotina e expectativas do paciente entram na conta.
Quando é indicado
Como é realizado
A cirurgia é feita em ambiente hospitalar, geralmente sob raquianestesia (anestesia da cintura para baixo) com sedação — o paciente dorme e não acompanha nada — ou anestesia geral, conforme a avaliação anestésica. O cirurgião remove os mamilos hemorroidários doentes um a um, controlando os vasos que os alimentam. Conforme a técnica escolhida, as pequenas feridas podem ser deixadas abertas para cicatrizar naturalmente (técnica aberta, de Milligan-Morgan) ou fechadas com pontos absorvíveis (técnica fechada, de Ferguson) — ambas consagradas, com a escolha adaptada a cada caso. Instrumentos de energia avançada ajudam a selar os tecidos e reduzir sangramento e dor. Ao final, é comum infiltrar anestésico local na região, prolongando o conforto das primeiras horas. O procedimento dura, em geral, de 30 a 60 minutos. A internação é curta: alta no mesmo dia ou na manhã seguinte, na maioria dos casos, já com o esquema de analgesia e as orientações por escrito.
Vantagens
Recuperação
Aqui vale honestidade completa: a primeira semana exige paciência. A dor é mais notável nas evacuações dos primeiros dias e é manejada com analgésicos programados (não espere doer para tomar), banhos de assento mornos várias vezes ao dia e fezes macias — fibras, muita água e laxativos suaves conforme orientação. Pequenos sangramentos e secreção nas evacuações são esperados durante a cicatrização. A maioria das pessoas retorna ao trabalho entre 1 e 2 semanas, dependendo da atividade; funções muito físicas podem pedir um pouco mais. O desconforto diminui semana a semana, e a cicatrização completa das feridas leva em torno de 4 a 6 semanas. Sentar é permitido desde o início — almofadas comuns ajudam; as de formato anel (boia) devem ser evitadas, pois pioram a congestão local.
Riscos e cuidados
Os riscos mais comuns são os do período imediato: dor (esperada e tratável), sangramento — geralmente pequeno, raramente exigindo reintervenção — e retenção urinária transitória nas primeiras horas. Infecção da ferida é incomum nessa região, que cicatriza surpreendentemente bem. No longo prazo, os riscos são raros, mas precisam ser ditos: estenose anal (estreitamento cicatricial do canal anal, associado a remoções muito extensas — prevenida com técnica cuidadosa), fissura na cicatriz e alterações da continência para gases, geralmente transitórias. Lesão significativa do esfíncter, com incontinência verdadeira, é rara em cirurgia bem conduzida. E vale repetir: hemorroidas removidas não voltam, mas novas podem se formar ao longo dos anos se os hábitos intestinais não forem cuidados.
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