Aline Mano — Cirurgia ColorretalAline ManoColoproctologia
Tratamento

Hemorroidas: nem todo caso precisa de cirurgia

Entre a pomada da farmácia e o centro cirúrgico existe um caminho inteiro de tratamentos — e a maioria dos pacientes resolve sem operar

Muita gente convive anos com hemorroidas por medo de que a consulta termine em cirurgia. Na prática, boa parte dos casos se trata com mudanças de hábito e procedimentos de consultório, como a ligadura elástica.

Agendar avaliação
Existe um medo silencioso que mantém muita gente longe do coloproctologista: o de que a consulta termine com uma cirurgia marcada. O paciente convive anos com sangramento, ardência e desconforto, alternando pomadas e banhos de assento, porque acredita que a única saída definitiva é operar — e que a cirurgia de hemorroida é sinônimo de sofrimento. Vale desmontar esse medo logo de início: a maioria dos casos de hemorroidas não precisa de cirurgia. O tratamento é uma escada, que começa nos hábitos, passa por procedimentos simples feitos no próprio consultório e só chega ao centro cirúrgico nos casos mais avançados — que são a minoria. Quanto mais cedo a avaliação, mais baixo o degrau necessário. Antes de subir a escada, um esclarecimento que muda a forma de ver o problema: hemorroidas não são uma doença que "aparece" — são estruturas normais do canal anal, almofadas de vasos que todo mundo tem e que participam da continência. A doença hemorroidária acontece quando essas almofadas se dilatam, inflamam e começam a sangrar, doer ou se exteriorizar.

Primeiro degrau: tratar o que causa, não só o que dói

O principal motor da doença hemorroidária é o esforço evacuatório crônico — fezes ressecadas, tempo demais sentado no vaso, força na evacuação. Por isso, o primeiro tratamento é sempre comportamental, e ele não é um "enquanto isso": é a base que sustenta qualquer outro degrau da escada. As medidas centrais: aumentar fibras na alimentação (frutas, verduras, cereais integrais, ou suplementos de fibra quando a dieta não alcança), beber mais água ao longo do dia, não adiar a vontade de evacuar e abandonar o hábito do celular no banheiro — o tempo prolongado sentado no vaso aumenta a pressão exatamente sobre as almofadas hemorroidárias. Nas crises, banhos de assento com água morna e medicações prescritas aliviam a inflamação e a dor. Casos iniciais frequentemente se estabilizam só com esse degrau — sem procedimento nenhum.

Segundo degrau: a ligadura elástica, resolução no consultório

Quando as hemorroidas internas continuam sangrando ou se exteriorizando apesar das mudanças de hábito, o degrau seguinte costuma ser a ligadura elástica — o procedimento não cirúrgico mais utilizado no mundo para tratar hemorroidas. A lógica é simples: um pequeno anel de borracha é aplicado na base da hemorroida interna, interrompendo o fluxo de sangue para aquele mamilo, que murcha e se desprende em alguns dias. O procedimento é feito no próprio consultório, sem anestesia geral e sem afastamento das atividades — a região onde o anel é aplicado praticamente não tem sensibilidade à dor. Pode haver um desconforto de peso nos primeiros dias, controlado com analgésicos simples. Em geral, trata-se um mamilo por sessão, com intervalos de algumas semanas. Para hemorroidas internas de graus iniciais e intermediários, a ligadura resolve a grande maioria dos casos — e é a resposta concreta ao medo de "acabar em cirurgia".

Terceiro degrau: técnicas para casos que pedem mais

Entre a ligadura e a cirurgia clássica existe um degrau intermediário: a desarterialização hemorroidária guiada por Doppler, conhecida pela sigla THD. Nela, as artérias que alimentam as hemorroidas são localizadas com um pequeno aparelho de ultrassom e costuradas, reduzindo o fluxo de sangue; quando há prolapso (a "carne saída"), o mesmo procedimento o reposiciona. O diferencial da técnica é não cortar nem remover tecido — por isso o pós-operatório costuma ser bem mais confortável que o da cirurgia tradicional, com retorno mais rápido às atividades. É uma opção para casos que a ligadura não resolveu ou graus mais avançados em pacientes que buscam recuperação menos dolorosa. E a hemorroidectomia — a remoção cirúrgica clássica? Ela segue tendo o seu lugar, principalmente nos graus mais avançados e nas hemorroidas externas volumosas, e as técnicas atuais de anestesia e analgesia tornaram o pós-operatório muito mais tolerável do que a fama sugere. Mas ela é o último degrau da escada, não o primeiro — e a decisão é sempre construída junto com o paciente.

O que define o tratamento certo

Não existe tratamento único porque não existe hemorroida única: o grau do prolapso, a intensidade do sangramento, o componente externo, os hábitos e as condições de saúde de cada pessoa apontam degraus diferentes da escada. Por isso a avaliação presencial — com o exame proctológico feito com calma e privacidade — é insubstituível: é ela que diz em que ponto da escada o seu caso está. O que não funciona é o caminho mais percorrido: anos de pomada por conta própria, com a doença subindo lentamente de grau. Hemorroida em grau inicial se resolve no consultório; a que esperou demais é a que acaba, aí sim, precisando de cirurgia. Procurar ajuda cedo não é exagero — é o que mantém o tratamento simples.

Leia também

Procedimentos relacionados

Quer avaliar o seu caso?

Agende uma avaliação com a Dra. Aline e discuta suas dúvidas pessoalmente.

Agendar avaliação

Conteúdo educativo. Não substitui uma consulta médica.

FAQ

Perguntas frequentes

O anel é aplicado numa região do canal anal que praticamente não tem sensibilidade dolorosa, por isso o procedimento em si costuma ser bem tolerado. Nos primeiros dias pode haver sensação de peso ou desconforto leve, controlada com analgésicos comuns e banhos de assento.
Todos os artigos
WhatsAppInstagram